Conjugalidade e violência contra a mulher: reflexões sobre os prontuários de atendimento da ONG SOS Mulher/Família

Neste artigo buscamos compreender violência conjugal contra a mulher, em Uberlândia, Minas Gerais, atendida por uma das instituições de apoio às mulheres em situação de violência, a ONG SOS Mulher/Família, que atua em casos de violência doméstica e intrafamiliar. Procuramos contextualizar esta violência específica dentro da perspectiva de gênero, através

da pesquisa bibliográfica e da análise dos prontuários de atendimento realizados pela instituição, entre 2001 a 2006. Para tanto, partimos da perspectiva teórica de que violência contra a mulher é cometida em decorrência da construção dos papéis de gênero, em relações de poder assimétricas, nas quais homens e mulheres detêm poderes díspares. De tal modo, a violência conjugal, assim como outras modalidades de violência de gênero, se originaria nas relações de poder e dominação advindas das construções sociais interiorizadas que privilegiam o masculino.



Caracterização dos casos de violência contra a mulher atendidos em três serviços na cidade de Uberlândia, Minas Gerais, Brasil

Este estudo apresenta aspectos epidemiológicos e clínicos da violência contra a mulher, utilizando três fontes de dados: prontuários médicos do Hospital de Clínicas de Uberlândia, Minas Gerais, Brasil, (HCU); fichas de atendimento da ONG SOS Ação Mulher Família (ONG SOS Mulher); laudos de perícia de lesões corporais e de necropsias do Posto Médico Legal (PML). No HCU e no PML, os atendimentos foram decorrentes principalmente por agressão física, não havendo alusão à violência psicológica nos prontuários médicos e nos laudos, revelando que em serviços de atenção primária à saúde esta violência é evidenciada somente em pesquisas pós-entrevistas com as vítimas. Na ONG SOS Mulher foram observadas principalmente as violências psicológica e física. Nas três fontes pesquisadas houve baixa ocorrência da violência sexual, corroborando dados da literatura que retrata a invisibilidade desta questão, principalmente da violência sexual conjugal sofrida pelas mulheres que buscam ajuda nesses serviços. Os dados da presente pesquisa permitem concluir que os tipos de violência contra a mulher nesses três diferentes serviços públicos de saúde e social, em Uberlândia, diferenciam-se conforme as características específicas dos serviços oferecidos nessas instituições.

Marilúcia Vieira Garcia 
Lindioneza Adriano Ribeiro 
Miguel Tanús Jorge 
Gustavo Resende Pereira 
Alexandra Pires Resende 


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FOLLOW-UP DE UMA INTERVENÇÃO COM HOMENS AUTORES DE VIOLÊNCIA CONJUGAL

LUIZ HENRIQUE MACHADO DE AGUIAR