Uma história da violência contra a mulher na cidade de Goiânia

O objetivo dessa dissertação é investigar como o fenômeno da violência contra a mulher foi construído como um problema social, na cidade de Goiânia, através da imprensa escrita goianiense. Para tal reflexão, perscrutei alguns jornais do final do século XIX e início do século XX, referentes à cidade de Goiás, antiga capital do Estado de Goiás, e do período de 1940 a 1980, da cidade de Goiânia. É fato, que após a década de 1980, com o surgimento dos grupos feministas, a violência contra a mulher passou a ser discutida na sociedade como um problema a ser combatido. Todavia, esse fenômeno é antigo e recorrente, inclusive na própria imprensa, no período anterior a década de 1980. Analiso as diferentes questões diante dessa violência, em momentos distintos, mas que se integram numa rede relações, que fizeram parte da constituição dessa violência, como um problema social em Goiânia.

Mestranda: Lívia Batista da Costa.
Orientador: Prof. Dr. Marlon Salomon.


NOVAS FORMAS DE LIDAR COM O PROCESSO DA SEPARAÇÃO CONJUGAL NA MODERNIDADE LÍQUIDA

O objetivo do presente trabalho é pesquisar sobre as formas de vivenciar o processo de separação conjugal na atualidade. A pesquisa almeja responder como os aspectos da Modernidade Líquida afetam a vivência da conjugalidade e de sua dissolução nos dias atuais. Foi feito um estudo teórico e conceitual sobre a vida contemporânea, particularmente da noção de “Modernidade Líquida”, cunhada pelo cientista social Zigmunt Bauman, em diálogo com pesquisadores brasileiros que abordam o tema da separação. São levantados também elementos históricos e dados quantitativos sobre as taxas de casamento, separação e divórcio no Brasil. A pesquisa qualitativa em campo foi feita através de entrevistas semidirigidas, com adultos jovens separados, de uma cidade do interior do Estado de Minas Gerais. Os resultados encontrados revelam que a crescente idealização do relacionamento, baseado no amor e na livre escolha do par, cria demandas contraditórias para o par conjugal diante da intensificação do processo de individualização. Os casais têm dificuldades em conciliar a divisão de atribuições como, por exemplo, entre a profissão e as tarefas domésticas, ficando a mulher sobrecarregada, pois na prática cotidiana ainda se percebe a desigualdade entre os gêneros. Há dificuldade também na conciliação de projetos individuais e projetos comuns ao casal, ficando estes desprivilegiados em função daqueles. Revela ainda como as pessoas vivenciam o processo de separação conjugal em diferentes momentos, tais como: a crise, a decisão, a iniciativa e a concretização da separação. Os relacionamentos contemporâneos só se mantêm enquanto proporcionam satisfação suficiente para ambos os cônjuges, e diante de uma crise conjugal, a solução mais rápida é a separação, no intuito de se ver livre do sofrimento. Os resultados da pesquisa explicitam também os motivos que levaram à separação do casal e qual parcela de responsabilidade as pessoas se atribuem pelo fim da relação. Existe uma tendência a desresponsabilização e pouca reflexão sobre a vivência da conjugalidade e sua dissolução, além de haver em alguns casos, tentativa de negação. A pesquisa revela ainda a influência da família de origem e do meio social sobre as pessoas que vivenciam o processo da separação conjugal.

 

CRISTIANE SANTOS DE SOUZA NOGUEIRA



Um estudo sobre a interpretação e aplicação da Lei Maria da Penha nas Delegacias de Defesa da Mulher e Distritos Policiais da Seccional de Polícia de Santo André – São Paulo

A violência contra a mulher constitui uma violação dos direitos humanos e das liberdades fundamentais. Em 2006, o governo brasileiro aprovou a Lei 11.340 – Lei Maria da Penha - que coíbe a violência doméstica e familiar contra a mulher. Apesar do esforço que vem sendo feito por órgãos governamentais e não governamentais, a implantação da Lei Maria da Penha tem encontrado resistências. Alguns representantes do Poder Judiciário advogam a inconstitucionalidade da Lei. A interpretação e aplicabilidade da Lei fica submetida às representações sociais sobre o papel da mulher na sociedade e seus direitos. A teoria das representações sociais são um auxílio para analisar os discursos de agentes policiais das Delegacias de Defesa da Mulher e Distritos Policiais que trabalham com a Lei, cotidianamente.