NOVAS FORMAS DE LIDAR COM O PROCESSO DA SEPARAÇÃO CONJUGAL NA MODERNIDADE LÍQUIDA

O objetivo do presente trabalho é pesquisar sobre as formas de vivenciar o processo de separação conjugal na atualidade. A pesquisa almeja responder como os aspectos da Modernidade Líquida afetam a vivência da conjugalidade e de sua dissolução nos dias atuais. Foi feito um estudo teórico e conceitual sobre a vida contemporânea, particularmente da noção de “Modernidade Líquida”, cunhada pelo cientista social Zigmunt Bauman, em diálogo com pesquisadores brasileiros que abordam o tema da separação. São levantados também elementos históricos e dados quantitativos sobre as taxas de casamento, separação e divórcio no Brasil. A pesquisa qualitativa em campo foi feita através de entrevistas semidirigidas, com adultos jovens separados, de uma cidade do interior do Estado de Minas Gerais. Os resultados encontrados revelam que a crescente idealização do relacionamento, baseado no amor e na livre escolha do par, cria demandas contraditórias para o par conjugal diante da intensificação do processo de individualização. Os casais têm dificuldades em conciliar a divisão de atribuições como, por exemplo, entre a profissão e as tarefas domésticas, ficando a mulher sobrecarregada, pois na prática cotidiana ainda se percebe a desigualdade entre os gêneros. Há dificuldade também na conciliação de projetos individuais e projetos comuns ao casal, ficando estes desprivilegiados em função daqueles. Revela ainda como as pessoas vivenciam o processo de separação conjugal em diferentes momentos, tais como: a crise, a decisão, a iniciativa e a concretização da separação. Os relacionamentos contemporâneos só se mantêm enquanto proporcionam satisfação suficiente para ambos os cônjuges, e diante de uma crise conjugal, a solução mais rápida é a separação, no intuito de se ver livre do sofrimento. Os resultados da pesquisa explicitam também os motivos que levaram à separação do casal e qual parcela de responsabilidade as pessoas se atribuem pelo fim da relação. Existe uma tendência a desresponsabilização e pouca reflexão sobre a vivência da conjugalidade e sua dissolução, além de haver em alguns casos, tentativa de negação. A pesquisa revela ainda a influência da família de origem e do meio social sobre as pessoas que vivenciam o processo da separação conjugal.

 

CRISTIANE SANTOS DE SOUZA NOGUEIRA